domingo, 26 de março de 2017

Um bombeiro salvou um cachorrinho na enchente




O jovem repórter estagiário ia para a quarta pauta do dia. O cenário era o mínimo para ser caótico: chuva, temporal, ventania. Água, muita água. Ficou assegurado, contudo, que não correria risco. Outro repórter mais experiente cobriria a parte humana da desgraça enquanto ele ficaria com o material/urbano. Como sempre, ia acompanhado de um fotógrafo.

Um córrego que cruzava o centro da cidade alagou. O carro da reportagem não pôde se aproximar mais, o nível da água já cobria metade do pneu. Observou certo aglomerado de populares em torno de algo que não conseguiu distinguir de dentro do veículo. Não teve outra alternativa senão encharcar o tênis e possivelmente o bloco de notas que levava em mãos.

Ao chegar no ponto observou um bombeiro nadando ali mesmo no chão que encontrava-se alagado, sem distinção entre onde começava a rua de onde terminava o córrego. Arfando, trazia um cachorro em mãos, vira-lata de pequeno porte, tamanho marrom, orelhas pontudas e olhar profundamente assustado. “Ai, salvou o Tucurunda!” exclamou a senhora dona do animal que erguia os braços para consolar o bicho enquanto agradecia o salvador.

Quem quando como onde quando por que. Todo mundo gosta de animais. Lembrou do critério inesperado. Dá uma notícia, uma nota, uma suíte, uma foto-legenda que fosse. Conversou com o bombeiro, com a dona de Tucurunda. Partes das anotações borraram-se na tinta da caneta sob a chuva.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Mariposa Branca




     Com asas de 30 centímetros entre o topo de cada uma das pontas ao alto delas, uma mariposa muito branca procura repouso numa pedra que se encontra numa ilha tropical. O inseto, tão claro, parece uma folha de papel, supostamente levada pelo vento, caso alguém a visse à distância. Não, ela existe, com vida própria. Está lá.

     O seu cotidiano é uma sequência de frustrações. A natureza não perdoa. A seleção natural não dá uma trégua. Quando busca refúgio, o que ela tem à disposição? Pedras, árvores, folhagem, troncos, chão, terra. Nada que fosse assim tão alvo como ela. Flores brancas também não servem, são pequenas pro tamanho que tem.

     Pensou se seria ela mesma uma aberração da natureza. É normal ser assim? Ou ainda, seria apenas um ponto fora da curva, que a ciência e os entomologistas ainda não alcançaram? Ainda se fosse uma borboleta, que pousa com as asas fechadas, imaginou que poderia ser uma vida mais fácil.

     A mariposa se irrita, é constantemente atacada por predadores. Procura fugir, não tem pra onde. Dia após dia, a mariposa tem uma única sensação: meu lugar não é aqui. Onde seria? Pensou num lugar frio, em que tudo é branco que nem ela. Concluiu que era ainda um inseto, não teria igualmente condição mínima de sobrevivência. A mariposa não consegue encontrar uma resposta.

     Assim, frustrada, irritada, incomodada, ela segue o cotidiano. O que ela fez para merecer isso? Por que todos insistem em olhar e apontar para ela quando a única coisa que faz é apenas... estar ali? Não é uma condição, ela não é albina. Nem conhece outros pares que poderiam lançar uma luz ao problema. Ela está sozinha, e o sentimento de solidão a incomoda. Não, não resta nada mesmo.

     Por pura teimosia, a mariposa branca não se rende. Forte? Ela só faz o que é necessário. Às vezes foge, quando precisa. Se é cansativo fugir por conta de predadores, por outro é fácil, já que não se vê pertencendo a lugar nenhum mesmo. Ela provavelmente não está bem adaptada ao meio, deve ser devorada por ele. E quem está?

     No breve período de vida que tem à disposição, a mariposa branca, com suas grandes asas, segue burlando o sistema. Algumas crenças dizem que a chegada de uma mariposa branca é sinal de boa sorte, ao contrário das mariposas comuns. Não se especifica, porém, quem afinal é o alvo dessa sorte.



-G-
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Chovia.mp3






-G-
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sábado, 30 de abril de 2016

Fiquei um mês fora do Twitter e o que aconteceu VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR




  
    Às vezes eu sou um empirista. Eu gosto de me colocar numas situações só pra ver como é.

    No final de março de 2016 eu estava saturado de internet. Fora o trânsito cotidiano, a efervescência do caos político tornava este um movimento desenfreado. Eu não aguentava mais ver as mesmas coisas todo dia. Só se falava de política e ainda assim eram repetições: é golpe vs não é golpe.

    Então, eu disse a mim mesmo que ficaria um mês inteiro sem a frenética rede social. Nesse meio tempo, vários acontecimentos certamente tomaram conta da rede:

- a final do BBB
- a votação do impeachment na Câmara
- a queda da ciclovia no RJ
- a morte do Prince
- a chegada do frio
- bela, recatada e do lar
- a estreia da temporada de Game of Thrones
- a estreia de Guerra Civil

    Às vésperas de retornar, certamente o teor político será constante nos próximos dias. Mas isso é só porque eu quero que seja, porque eu sigo pessoas e veículos de comunicação que falam sobre isso. Porque eu considero importante/interessante. Eu poderia apenas seguir arrobas que falassem de música pop todo dia e a realidade seria outra.

    Em parte a gente vai atrás dos assuntos que gosta. Em outra parte, excepcionalmente, só se fala em política por conta do atual momento em que se vive. Parece que não tem como falar de outra coisa, e se você o fizer, estará perdendo algo. Daí que você vê a mesma notícia 20 vezes em portais diferentes de notícia. É algo que PRECISA ser veiculado. E a gente, bom, a gente está no meio do turbilhão.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 13 de setembro de 2015

The Man-Machine


    Este não é um texto sobre Kraftwerk. Porém, é impossível não passar por eles até onde eu quero chegar.

    A década é a dos anos 70 do século passado. Os computadores pessoais ainda eram algo distante. Por outro lado, a humanidade sempre esteve abastecida de tecnologia desde o momento que o homo sapiens começou a criar ferramentas. Então, numa Alemanha que se encontrava em reconstrução após tantas outras décadas de guerras mundiais, um grupo de jovens previu o futuro.

    Digo que previram porque, mesmo tão distantes do tempo em que nos encontramos hoje, o que passa pelas letras deles é algo que cada vez mais se encontra refletido no nosso cotidiano. Comunicação, tecnologia, velocidade, movimento.

    Este que vos escreve gostaria de traçar uma breve linha do tempo a respeito de telas. A primeira tela que causou uma revolução na humanidade, dentre tantas outras tecnologias que não dependem desse artifício, foi a tela de cinema. O que era parado nos quadros de pinturas e mesmo na fotografia ganhou movimentos e sons. Ainda assim, não era algo que todo mundo podia ter em casa. Décadas mais tarde, a Televisão veio para revolucionar de outra maneira: trouxe a tela para dentro dos lares. As telas se popularizaram. É algo que traz imagem e som, entretenimento e informação. Mais tarde, veio a Internet como uma bomba que está expandindo o universo das tecnologias até hoje tal qual o Big Bang ainda movimenta a expansão do universo. Combinando tudo isso e muito mais veio a última tela, referente aos Smartphones. O mundo agora está no seu bolso.

    Então, durante todo esse tempo, a tecnologia veio fagocitando cada um de nós para dentro de seu núcleo. Não que seja inteiramente ruim. A tecnologia é linda - quando funciona -, mas não dá pra ignorar o fato de que ela mudou o jeito de a humanidade existir.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...